Amor fast-food.

Hoje
se ama
no decorrer das incertezas
Não amor
Antiamor

Te amo
Não te amo
Agora eu te amo
Agora não mais
Quero você
Já não te quero…

Amor pós-moderno.
Desconstruído.
Fragmentado.
Amor de consumo.
Prático.

“- Muito obrigada por seus serviços,
Mas não te amo mais.”
Simples assim…
Não te amo mais.

Ingrid Zanata Riguetto

Publicado em:  on 20 20UTC Outubro 20UTC 2009 at 07 04. 50 102210. Comentários (1)

A criança em mim

A criança em mim sorri novamente. Antes era criança mimada, briguenta. Meio triste… Ficava sempre de canto no recreio da escola. Não dividia a bola, nem o lanche. Queria o tudo, e este não era suficiente. Tinha medo de palhaço, vergonha cantar. O cabelo sempre na cara, pois o rosto não queria mostrar. Não confiava em ninguém. Seus amigos eram seus próprios dentes. Não que era infeliz. Na verdade, de inicio era uma criança normal: ria do amor, ria! Contudo, as decepções a fez assim meio chorona; criança chata! A casquinha da ferida demorou pra cicatrizar. Cansou de cair de bicicleta sempre na mesma esquina. Resolveu andar de bike em outro quarteirão. Queria respirar fundo e viver. Contudo cair é inevitável. Caiu novamente. Só que agora tudo foi diferente. Alguém lhe estendeu a mão, assim como também consertou sua “magrela”. Conquistou um amigo, conseguiu um confidente…

Ingrid Zanata Riguetto

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Publicado em:  on 13 13UTC Junho 13UTC 2009 at 07 03. 50 06296. Comentários (1)

Giovane

- O manhê, olha o Giovane…
- Eu não tô fazendo nada tia… Ela é que é intrometida. Uh!! Quer brinca com meu vídeo game.
Maria Eduarda emburra afinal ela só queria brincar com o primo. Estava cansada de suas intermináveis vidas fantasiosas como mãe de família, cuidando de uma boneca de pano. Queria sentir a emoção de deslizar nas estradas, com a mega sensação de um piloto de vídeo.
Não entendia o porquê de não a deixarem brincar. Diziam que era muito nova. Falavam sempre: você só tem cinco anos, não sabe brincar de game… Isso lá é motivo! Pensava.
Começou a planejar uma estratégia mirabolante para acessar seu sonho. Prestaria a atenção necessária para que pudesse ligar o computador. Tudo sozinha! Começou a fazer perguntas sobre jogo. Dessa forma reunia todas as informações necessárias para sua missão.
E foi assim que em um belo dia de verão. A pequena jovenzinha, em uma visita rotineira a casa do primo, aproveitou-se da ausência desse para agir. Ligou o computador! A pequenina era esperta, e rápida. Começou o tão sonhado… E por horas a fio ali ficou. Sua mãe em um longo bate-papo com sua tia, mal lembrava que tinha filha. Assim a garota pode se esbaldar. Uma aventura que não extrapolava o domínio do quarto do primo.
De repente, chega Giovane. Maria Eduarda, não o ouve entrando em casa, estava muito distraída com suas emoções. Giovane vai direto pro quarto, quando vê sua prima mexendo em seu tesouro. No computador, seu predileto. Fica desolado, e grita:
- Olha aqui mãe… Olha o que a Maria Eduarda fez…
As mães correm. Pode ter acontecido uma tragédia. Enquanto isso Giovane olha mais atentamente pro computador. Repara. Presta atenção e logo admira os resultados que sua prima conseguira atingir. Seu semblante mostrava toda a decepção que um ser de nove anos poderia ter. E puxando forças do fundo de seu orgulho, resmunga solitário:
- Não acredito! Ela terminou o jogo.

Ingrid Zanata Riguetto

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Publicado em:  on 2 02UTC Maio 02UTC 2009 at 07 04. 50 05335. Comentários (2)
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A ordem

O céu se fecha, cai a chuva.
Nuvens, planetas, infinito.
A grande esfera está calma.
Sem alardes, sem clarins.
Silêncio.

As explicações surgem como
vento em tardes nubladas.
Não faço deuses do desconhecido.
O bem se constrói naturalmente,
na razão e na compreensão dos fatos,
sem absurdos ou fantasias.
No céu, nuvens, planetas, infinito.

Na Terra, seres supremos habitam a imaginação.
Tripulantes distorcem fatos.
Vivem da eterna utopia ivolucionária .
A imagem pregada na tristeza
quer a perpétua culpa universal.
Quer as mãos juntas e os olhos vedados.
Destroi pensamentos.
Ergue castelos.
Fazem-se bons.

Sem culpas, a limítrofe muralha desaba!
A estampa alegórica dos vitrais se
evapora na penumbra da contradição.
O trono incógnito se cala à realidade.
A ordem natural segue seu rumo.

Cristian Zanata Riguetto

Publicado em:  on 22 22UTC Abril 22UTC 2009 at 07 03. 50 04504. Comentários (2)

O erro

Branca é a dor que te assola.
Fogo projetado.
Diversas faces.

Pobre medo.
Medo do pobre.

Ruas escuras, visíveis barreiras.
No silêncio do seu lar.
Sem hora marcada
Mão da criança.
Veículo assassino.

Grades me protegem.
Segurança máxima.
Atrás das grades.

Tolerância mínima.

Mania de cidade grande.

Atacar com educação.
População desarmada.
Desalmada.

Ignorância, veneno.
Ignorância, bomba.
Ignorância, arma.

Cristian Z.R.

Publicado em:  on at 07 03. 50 04454. Comentários (1)

Luiza

Entre um pote de sorvete e uma porção de batata frita, Luiza tentava solucionar seus problemas. Já não podia mais viver. Entre suas angústias e decepções a vida já não respondia. Como uma rosa colhida no quintal, sua fonte energia esgotou-se. Perdera um grande amor e agora a infelicidade adormece todo dia ao seu lado. E sempre a acorda mais cedo, fazendo a conviver mais tempo com a mágoa. “Como esquecê-lo, foi meu primeiro amor?”- perguntava Luiza. Em seu peito uma pedra. Um coração que batia descompassado. Uma batida dolorida, quase ausente.
Em uma bela noite, Luiza resolve assistir um filme. Chega ao cinema. Compra pipoca. Senta em um bom lugar. E tenta relaxar. Esquecer era seu plano. Ao seu lado, um belo rapaz. Sozinho estava. Olhá-lo era inevitável, afinal parecia também tristonho. Ajudar ela poderia. Ela deu um “ boa noite”. Ele correspondeu. Calados assistiram ao filme e ao seu final um comentário: “- bom filmem, não achou”. E assim um bate-papo se iniciou. Conversaram e algo a mais se prenunciou. Deram conta de repente, que o coração de novo estava vermelho, pois sangue agora percorre entre seus meandros. Engraçado! A mágoa se dissolveu. A decepção já não existe. Duas pessoas se encontraram. Um novo amor. Uma nova história. Novas pulsações, para um antigo coração.

Ingrid Zanata

Publicado em:  on at 07 10. 50 04174. Comentários (1)
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Fragmento

Sou o ar pulsando o grito da criança.
Eu vi a estranha luz de um mundo de ponta cabeça.
Terei eu de pagar o pato por esse pacto?
Tramado por pessoas desconhecidas.

Eu sempre estive aqui!

Arder a vida nessa eterna interrogação.
Simples e complexa.
Como fazê-lo sem indignar-se?
Sofrimento passo à passo, sem legendas, sem estrelas.
Jogado no mundo sem manual.
no rodapé, os dizeres: não aceitamos devolução.
Cerébro que caminha pelo mundo desta sala.
Vago pensamento.
Só atinge os muros de minha morada.
Conseguir flutuar para longe, é quase impossível.
Tarefa árdua.
Máquina falha.

Quando explodir quero ser terra, mosca, pássaro.
Sem bagagem catando minha carne.
Confundindo meus sentidos.

Sou órfão de um mundo criado pelo universo das pessoas.
Sou estranho nessas entranhas.

Só acredito na pedra, na pele, na folha seca.
Atoa… atoa…
Enxergo um lugar repleto de anseios e esperanças.
Em algo pouco provável.

O enigma segue viagem onde sempre estará.
Ser, é carregar o descontentamento e a imperfeição.
Não há como arrancar o câncer do mundo.
Não há como evitar as externas mordidas na lingua.

Construção transitória.
Cedo ou tarde fico só.
Nesse defeito dominó, sou mais uma peça descartável.
Substituível!

Cristian Zanata Riguetto

Publicado em:  on at 07 06. 50 04004. Comentários (1)

“Iroshima, meu amor”

“Se não esquecemos, não podemos viver, nem agir.
O esquecimento deve ser construção. O desespero é a inação, a dobra sobre si mesmo. O perigo é parar.”
Alain Resnais

Cheguei a conclusão de que um filme bom é aquele que após seu término, nos remete a uma reflexão longa contestando toda uma vida. Fica ali matutando em nossas cabeças horas a fio, dias, semanas… meses. Um filme bom é aquele que tira do baú conflitos pessoais, dramas históricos, psicológicos, questões políticas importantes, sempre sabendo-as transpor para a arte cinematografica. Etapa difícil essa! Fazendo-nos intender sobre nós mesmos, sobre o mundo. Digo isso como telespectadora, sobre a parte técnica resguardo a questão a quem domina a arte de fazer um fime.
Sendo assim, digo que o filme “Hiroshima meu amor” ganhou com toda certeza meu voto de filme bom. Digo mais, é um filme maravilhoso. Um drama psicológico, que tem a memória como personagem principal. Assim, “Hiroshima, Meu Amor” é um extraordinário filme sobre a vida, sobre o amor, sobre o tempo e sobre a memória… e também sobre a detonação da bomba atômica em Hiroshima, em 1945, e sobre os horrores da guerra.
Realizado pelo grande cineasta francês, Alain Resnais, o filme é um dos marcos da “nouvelle vague” francesa. Não se trata de um filme de fácil entendimento. Ao contrário, às vezes ele se mostra meio confuso, já que Resnais consegue fazer, de forma magistral, com que seus simbolismos estejam intimamente entrelaçados com a ação, com a realidade. Os diálogos e as imagens são muito bonitos. “Hiroshima, Meu Amor” conta ainda com uma excelente fotografia e com a maravilhosa atuação de Emmanuelle Riva, no papel principal.

Ingrid Zanata

erfftyu-022

Publicado em:  on 15 15UTC Abril 15UTC 2009 at 07 06. 50 04184. Deixe um comentário
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Quem sabe…

Quem sabe um dia, dEUs!!
eu entenda o porquê de o mundo
não ser mais mundo
já que a vida sobrevive – não vive,
pois o tempo que não tem mais tempo
deixa a esperança desesperada
esperando que um dia a vida
faça o sentido sentir de novo
o pulsar desta alma quase desalmada.

Ingrid Zanata

vida

Publicado em:  on 13 13UTC Abril 13UTC 2009 at 07 03. 50 04434. Deixe um comentário
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Sou assim

Ando!
Por entre caras e cores, vou!
Vou por entre os mundos.
Voo;
por cima, dentre
sempre.

O frio de teus olhos, longe ficou.
Em um tempo distante;
pra lá da origem;
lá do horizonte.

Quero mais.
Quero pousar em algum lugar quente
onde se sente.

Aqui nada arde.
tudo é cinza pastel, sonso,
meio morno,
meio sal,
meio…
Nada me serve
tudo é pequeno,
pequenino,
ninho.

Eu sou o exagero.
Exagero, sei!
Mas quero o diferente.
Quero,
um lugar que aguente
essa delinquente,
que tem
as palavras como
intermitentes
deste tempo carecente;
inconsequente.

Ingrid Zanata

caras e cores

Publicado em:  on 8 08UTC Abril 08UTC 2009 at 07 10. 50 04534. Comentários (1)
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