“Se não esquecemos, não podemos viver, nem agir.
O esquecimento deve ser construção. O desespero é a inação, a dobra sobre si mesmo. O perigo é parar.”
Alain Resnais
Cheguei a conclusão de que um filme bom é aquele que após seu término, nos remete a uma reflexão longa contestando toda uma vida. Fica ali matutando em nossas cabeças horas a fio, dias, semanas… meses. Um filme bom é aquele que tira do baú conflitos pessoais, dramas históricos, psicológicos, questões políticas importantes, sempre sabendo-as transpor para a arte cinematografica. Etapa difícil essa! Fazendo-nos intender sobre nós mesmos, sobre o mundo. Digo isso como telespectadora, sobre a parte técnica resguardo a questão a quem domina a arte de fazer um fime.
Sendo assim, digo que o filme “Hiroshima meu amor” ganhou com toda certeza meu voto de filme bom. Digo mais, é um filme maravilhoso. Um drama psicológico, que tem a memória como personagem principal. Assim, “Hiroshima, Meu Amor” é um extraordinário filme sobre a vida, sobre o amor, sobre o tempo e sobre a memória… e também sobre a detonação da bomba atômica em Hiroshima, em 1945, e sobre os horrores da guerra.
Realizado pelo grande cineasta francês, Alain Resnais, o filme é um dos marcos da “nouvelle vague” francesa. Não se trata de um filme de fácil entendimento. Ao contrário, às vezes ele se mostra meio confuso, já que Resnais consegue fazer, de forma magistral, com que seus simbolismos estejam intimamente entrelaçados com a ação, com a realidade. Os diálogos e as imagens são muito bonitos. “Hiroshima, Meu Amor” conta ainda com uma excelente fotografia e com a maravilhosa atuação de Emmanuelle Riva, no papel principal.
Ingrid Zanata
